Com brisa do rio e mais espaço para dançar, o Polo Praça do Samba abre um novo capítulo no Recife Antigo sem perder sua tradição: gente, canto e batuque atravessando a noite
O samba tem jeito pernambucano de acontecer. Ele chega com balanço, com coro, com gente cantando junto, e segue ecoando para além do Recife. Na noite deste sábado (14), a Polo Praça do Samba celebrou seu novo endereço no Carnaval 2026 e mostrou, com público presente até a madrugada, que a mudança de ares fez bem à festa.
Neste ano, o Polo deixou a Rua da Moeda para ocupar a cabeceira da Ponte Giratória, na área do Parador, vizinho ao Armazém 14. À beira do estuário do Rio Capibaribe, o espaço ganhou em circulação: área ampla, ventilada, com fácil acesso e uma estrutura de serviços, com bares e banheiros, dimensionada para o tamanho do público.
No público, a sensação foi de alívio pelo espaço extra. “Sou fã da Rua da Moeda, mas lá estava ficando impossível se mexer. Aqui venta mais, a gente consegue sambar sem esbarrar em ninguém e a vista é linda. O samba precisava desse respiro, além de prestigiar a nata do samba pernambucano”, contou Maria Santos, 34 anos, frequentadora assídua do polo há cinco carnavais.
A programação começou às 16h com a Escola de Samba Pérola do Samba. Em seguida, As Yabás do Samba levaram a força feminina para o palco, antes de Taiguara e Elys Viana manterem a praça aquecida.
Às 20h40, Belo Xis subiu ao palco e puxou a multidão com repertório certeiro. A resposta foi imediata. “Estar aqui é sempre especial. Esse povo do Recife tem um swing único, uma entrega que emociona qualquer artista”, disse o cantor, visivelmente satisfeito com a receptividade do local.
O samba faz parte das raízes de Antônio José de Santana, o Belo Xis. Aos 78 anos, ele soma cerca de 50 dedicados ao ritmo. Puxador oficial da escola Gigantes do Samba e integrante da ala de compositores da Mocidade Independente de Padre Miguel, ele teve na família, no bairro da Torre, sua primeira escola musical.
O recifense Jorge Ribas reverenciou a história do samba-enredo no Polo, lembrando clássicos que atravessam gerações. Entre eles, “Aquarela Brasileira”, de Silas de Oliveira, eternizada no desfile do Império Serrano em 1964, seguida por “Bahia de Todos os Deuses”. Nascido na Boa Vista e com trajetória ligada às matrizes afro e aos afoxés históricos do Recife, o sambista reforçou a importância de manter viva essa memória: “Quem gosta de samba tem que lembrar os grandes enredos do Brasil. Se a gente não cantar, a nova rapaziada não vai aprender.”
Carla Rio entrou às 23h20, colocando o público para sambar com a voz potente ecoando pelo novo espaço. Já na virada da madrugada, às 00h40, o Pagode do Didi tomou conta do palco. Referência absoluta no Centro do Recife e em atividade desde 1981, o grupo mostrou por que é patrimônio da cultura local. Com a praça ainda cheia, o show atravessou a madrugada mantendo a vibração em alta.
A programação do Polo Praça do Samba segue até a terça-feira gorda (17), reunindo escolas de samba, grupos tradicionais e atrações de pagode. As apresentações começam sempre a partir das 16h.
FOTOS: Wagner Ramos/PCR
Programação e outras informações - APP Conecta Recife ou https://carnaval.recife.pe.gov.br/

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