Com o tema “Fé e Resistência”, foi realizada neste domingo (26), a tradicional caminhada de São Jorge, no bairro de Maranguape I. Em sua nona edição, o evento reuniu cerca de 100 participantes com o objetivo de celebrar o Dia de São Jorge, festejado nacionalmente em 23 de abril. A iniciativa reuniu a fé católica e o sincretismo da cultura de matriz africana, homenageando São Jorge, o santo guerreiro e a força de Ogum, orixá associado ao trabalho, à guerra e à coragem.
Promovida pela comunidade de terreiro do Centro Cultural Caboclo Manoel da Luz, coordenado pelo babalorixá Pai Plínio de Ogum, a festividade propôs importantes reflexões sobre enfrentamento à violência contra a mulher, inclusão de pessoas com autismo e respeito à pessoa idosa. Levou às ruas também o cortejo de quatro afoxés da cidade, muita música e artistas locais como Nandinho Ferraz e Bira do Coco, que se apresentaram em frente ao terreiro do Centro Cultural Caboclo Manoel da Luz, após a distribuição da tradicional feijoada de São Jorge, que ofertou à comunidade cerca de 12 kg de refeição.
A caminhada contou com apoio da Prefeitura do Paulista, por meio da Secretaria de Segurança Cidadã, Mobilidade e Defesa Civil, que acompanhou o cortejo realizando a proteção de pedestres e a ordenação de veículos a partir de uma patrulha viária.
Na ocasião, a aposentada Edna Cunha Marcena, 81, moradora do Ibura, que há cinco anos acompanha a atividade, ressaltou a alegria de participar da comemoração. “Vim de longe, mas cheguei logo pela manhã, para acompanhar, desde cedo, a celebração. Fiz amizade com muitas pessoas, incluindo um padre de Igarassu, que veio ano passado. Gosto muito daqui e durante a semana participo das reuniões da casa. Na celebração de hoje, achei muito importante estarem discutindo esses temas voltados a crianças atípicas e à violência contra a mulher”.
A estudante Jamile Vitória de Lima Miranda, de 16 anos, que começou a participar da caminhada há um ano, ressaltou o afeto pelo espaço coordenado por Pai Plínio e a importância das expressões culturais. Destacou ainda a relevância de transformações promovidas em seu dia a dia na convivência com o Centro Cultural Caboclo Manoel da Luz.
“Antes minha mãe não gostava que viesse aqui, mas depois ela conheceu a cultura do lugar e todo o trabalho realizado em prol da comunidade e achou maravilhoso. Viu que aqui é um lugar de amor. E, depois que comecei a participar das atividades da casa, abandonei hábitos que me faziam mal, além de comportamentos que me prejudicavam. Deixei também o cigarro e hoje sou uma pessoa diferente. Sinto muito amor por todos aqui e por nosso Pai Plínio, que me recebeu de portas abertas. Hoje, como filha de Xangô e Oxum, que representa os rios, me sinto mais conectada com a natureza e bem melhor”, relatou.
Para Pai Plínio de Ogum, a caminhada iniciada pelo seu avô, nove anos atrás, levada adiante agora por ele, é um momento importante para reunir toda a comunidade e celebrar a cultura, a fé, a religiosidade e as tradições das expressões de matriz africana, a exemplo do Candomblé. O babalorixá salientou também a importância do trabalho social da casa de terreiro, que realiza assessoria jurídica, atendimento de fonoaudiologia, psicologia, além de cardiologia, todos realizados por profissionais que integram a religião.
“Temos muitas especialidades aqui e todos esses atendimentos são realizados por filhos de santo da casa que prestam assistência à comunidade. Aqui também oferecemos sopão, promovemos cursos de doces e culinária africana, além de música. E o dia de hoje é importante para festejar e também levar reflexão, pois é preciso discutir o autismo, o etarismo e o feminicídio, porque o silêncio mata. Esses problemas atravessam a comunidade e estamos aqui para levar adiante acolhimento e também força espiritual para enfrentá-los e irmos avançando no que for preciso”, pontuou.
Fotos: Chico Peixoto – SEI ( Secretaria de Imprensa)


















