A decisão sobre a aceitação dos embargos infringentes do mensalão — recursos que podem reabrir o processo — dos condenados no julgamento está nas mãos do decano do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Celso de Mello.
O ministro Marco Aurélio Mello é o próximo a votar em plenário, mas já antecipou durante
intervalo da sessão, nesta quinta-feira (12), que vai se posicionar pela rejeição dos recursos. Dessa forma, se isso se confirmar, o placar ficará 5 a 5.
— Com os apartes desde ontem, meu voto já está revelado: pela inadmissibilidade.
O posicionamento de Celso de Mello ainda não é conhecido. O decano foi citado várias vezes para embasar o voto dos ministros que defendem a reabertura do processo, com a aceitação dos embargos infringentes.
No entanto, nada impede que o decano apresente um novo entendimento. O próprio ministro Marco Aurélio de Mello brincou com a situação.
— Ele [Celso de Mello] não tem que seguir o voto anterior porque ele também é Mello.
Marco Aurélio, que também tem Mello no sobrenome, fez a brincadeira porque frequentemente muda de ideia ou define seu posicionamento durante o debate em plenário.
Quando iniciou seu voto, Marco Aurélio voltou a comentar a situação da análise dos embargos infringentes.
— Estamos a um passo de desmerecer a confiança que no Supremo foi depositada. Que responsabilidade, ministro Celso. Vossa excelência fique tranquilo que eu soube que os vidros do plenário foram blindados.
Consequências
Se Celso de Mello aceitar os embargos infringentes, pelo menos 12 dos 25 condenados podem ter um novo julgamento, porque receberam quatro votos pela absolvição.
Esse é o caso do deputado João Paulo Cunha (PT-SP), na condenação por lavagem de dinheiro, e do ex-ministro José Dirceu, no crime de formação de quadrilha, que podem se livrar da cadeia, caso sejam considerados inocentes no novo julgamento.
Fonte: Folha de S.Paulo

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