Entre alfaias e loas, moradores e visitantes acompanharam uma maratona de apresentações que se estendeu até a madrugada, celebrando a força dos tambores em uma noite de competição e celebração ancestral
Na noite desta sexta-feira (13), data carregada de simbolismos e saberes ancestrais, o Polo do Forte, nos Torrões, transformou-se em um grande terreiro a céu aberto no Carnaval do Recife 2026. Ao som dos tambores, o Concurso de Maracatu de Baque Virado reuniu nações tradicionais e conduziu um grande público à Avenida do Forte, onde cada cortejo, cada canto e cada batida ecoaram memória, fé e resistência até a madrugada.
A abertura ficou por conta da Nação Tigre, que deu início à sequência de desfiles com cortejo organizado e batuque firme. Em seguida passaram pela passarela Sol Brilhante de Olinda e Nação de Luanda, mantendo o ritmo da disputa. O Sol Brilhante do Recife, residente da Linha do Tiro, na Zona Norte, também marcou presença. Com 32 anos de atuação, o maracatu é presidido por Mestre Biu, Wilson Gonzaga, e tem como mestre Pitoco de Ayrá, Carlos Alberto. Além da participação no concurso, o grupo é reconhecido pelo trabalho social desenvolvido na comunidade ao longo do ano.
A programação seguiu com Cambinda Africano, Nação Oxalá, Baque Forte, Linda Flor e Gato Preto. Cada nação apresentou seu enredo, suas loas e sua formação completa, mantendo o público atento e participativo. Carneiro de Ouro e Xangô Alafin deram continuidade à disputa, reforçando a força do maracatu na cena cultural da cidade.
Já na madrugada, Oxum Mirim e Cambinda Estrela antecederam a entrada do Maracatu Nação Raízes de Pai Adão. Reconhecido como Patrimônio Vivo de Pernambuco, o grupo apresentou o desfile Baque Astral, levando à avenida elementos ligados à sua história e à tradição nagô. Fundado em 1998, no bairro de Água Fria, no Sítio de Pai Adão, o maracatu mantém atuação cultural e comunitária constante.
“Eu venho todo ano. A gente fica cansado, mas não sai. É diferente assistir de perto, sentir o som da alfaia batendo no peito. O Forte fica bonito assim, cheio de gente e de cultura”, disse o morador Carlos Henrique, que acompanhava a programação com a família.
O mestre do Raízes de Pai Adão, Manuel Papai, atual babalorixá do Sítio, também comentou a apresentação. “O Baque Astral representa o que a gente vive o ano inteiro. É ensaio, é fundamento e é respeito aos nossos mais velhos. A gente entra na avenida com responsabilidade”, afirmou.
A noite ainda contou com a apresentação de Tupinambá e foi encerrada com o Almirante do Forte, já por volta das 1h30. O concurso confirmou mais uma vez o papel do Polo do Forte como espaço importante para a valorização das nações de maracatu dentro do Carnaval do Recife.
FOTOS: Uenni/PCR

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