A luta contra o racismo deve ser uma premissa de toda a sociedade. O problema, de ordem estrutural e capaz de produzir feridas, não se limita apenas a população negra, cabendo o engajamento de todos os cidadãos. Nesta terça-feira (11), o prefeito de Olinda, um dos mais importantes municípios do país, Lupércio Nascimento, de 55 anos, usou suas redes sociais para expor o episódio de preconceito que sofreu na própria plataforma. O gestor registrou uma ocorrência policial contra o ato criminoso, dando início a um trabalho de investigação e consequente punição junto às autoridades. Contudo, o olindense transformou o triste episódio em mais uma oportunidade para discutir este mal, promovendo o diálogo e a conscientização com seus milhares de seguidores, além do público em geral.
"Em minha trajetória de vida, já tinha sido vítima de diversas formas de racismo velado, algo que também não pode ser visto como de menor potencial ofensivo, já que deixa cicatrizes em pessoas de todas as classes, gêneros e idades. No entanto, desta vez, o agressor agiu de maneira escancarada, talvez por acreditar, erroneamente, que comportamentos deste tipo ainda possam ficar impunes", ressalta Lupércio, lembrando que abraçar esta causa demonstra o sentimento de justiça e humanidade.
O professor, que acumula um histórico vitorioso, estando no segundo mandato como prefeito, além de ter sido duas vezes vereador da cidade e também deputado estadual, diz que ser negro é motivo de grande orgulho. "O racismo é algo que não me abala, mas que precisa ser severamente denunciado, para que nenhum jovem ou qualquer família venha a sofrer por algo semelhante. Nosso tom de pele não nos limita em nada, pelo contrário, destaca nossa natureza aguerrida, nos levando a ocupar todos os espaços" reforça.
Recentemente, Lupércio esteve envolvido, ativamente, em uma série de atividades de combate ao racismo e o preconceito, nas suas mais variadas formas. "A nossa luta é por harmonia, impulsionando a compreensão de que somos todos iguais", assegura. O Município de Olinda, em parceria com a seccional local da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), também lançou, no último mês, uma Cartilha Antirracista, distribuída em todas as unidades da Rede Municipal de Ensino.
A produção foi fruto do trabalho em conjunto com a Associação Brasileira de Pesquisadores Negros (OBPN), junto a outros entes e representantes da sociedade civil que lutam pela causa. A cartilha tem o objetivo de informar aos pequenos leitores, estendendo aos seus pais e responsáveis, sobre o racismo existente no cotidiano. A ideia é promover o entendimento do que podem ser palavras e atitudes preconceituosas. O documento também carrega orientações sobre o que fazer em casos deste segmento, a quem recorrer e quais as providências cabíveis podem ser tomadas em tal situação.
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