20 de novembro de 2012

Forte Orange reabre as portas ao público



Cada pedra do Forte de Itamaracá, no Grande Recife, guarda um pouco de lendas, histórias de batalhas e resistência de nações e até mesmo de um homem que protegeu com a própria vida a construção. Erguido pelos holandeses em 1631, o Forte Orange serviu de base para os portugueses construírem, 65 anos mais tarde, o Forte de Santa Cruz. A edificação foi ampliada seguindo o modelo arquitetônico original. Após dois anos fechado, o monumento passou por algumas intervenções antes de ser devolvido à população. A meta para os próximos anos – audaciosa e milionária – faz jus ao valor histórico e cultural que a fortaleza representa para a construção do Brasil.

O superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) de Pernambuco, Frederico Almeida, mostrou-se entusiasmado com a reabertura do Forte e apresentou os planos futuros. O Programa de Reforma e Revitalização, orçado em R$ 26 milhões, estava exposto em um painel e aguçava a curiosidade dos que percorriam as muralhas da fortaleza.
“Abrir o Forte está sendo uma batalha. Agora, com a entrega da primeira etapa, vamos buscar os recursos necessários para podermos concluir a revitalização”, explica Frederico Almeida. Por enquanto, apenas as obras de contenção do mar têm verba garantida. Nos próximos três meses, a entrada no espaço será gratuita. Ao longo deste período, o Iphan analisará a melhor maneira de fazer a cobrança, que será destinada à manutenção do monumento.

Além disso, o projeto prevê a restauração arquitetônica, projetos museológicos e museográficos, recuperação de mangues e instalação de acessos. Em uma das etapas, de acordo com o superintendente, será escavado um túnel que trará à tona as ruínas do Forte Orange, atualmente encoberto pela construção edificada pelos portugueses. Os visitantes percorrerão um corredor subterrâneo e terão contato com o estilo arquitetônico holandês. “Na superfície, o traçado do Forte Orange também será demarcado para o público observar a dimensão real do tamanho da fortificação”, afirma o presidente do Iphan.

Outra proposta para ofertar um pouco da história guardada entre os muros da fortificação é o resgate da trilha percorrida pelos holandeses. O trajeto terá 2,5 quilômetros, cinco paradas e vai ligar o Forte até Vila Velha, antiga capital da Ilha de Itamaracá. Dos 860 fortes construídos para defesa do litoral durante o período em que o Brasil era colônia portuguesa, apenas 109 continuam presentes na paisagem. O Forte de Itamaracá é a única edificação militar que mostra evidências arqueológicas do período de dominação holandesa.

Na primeira etapa da reabertura do monumento foram realizados serviços de troca do telhado, substituição e descupinização da madeira, construção de novas escadas e passarelas, pintura de portas e esquadrias, retirada de infiltrações, além de revista total e modernização da instalação elétrica e dos pontos de iluminação. A verba de R$ 350 mil foi do Ministério da Cultura, repassada ao Iphan.

Para Sol Esoje Sousa, filho de José Amaro de Souza Silva, conhecido como o Guardião do Forte Orange, o momento foi emocionante. “Cresci aqui, vi meu pai passar 30 anos da vida dele lutando pela preservação do lugar. Depois da morte dele, o patrimônio ficou abandonado e o mato tomava conta de tudo. É muito gratificante olhar e perceber que a saga dele não foi em vão. Ele se considerava uma pedra do forte e vamos cuidar para manter viva a chama da preservação”, pontua.

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