Cada pedra do Forte de Itamaracá, no Grande Recife, guarda um pouco
de lendas, histórias de batalhas e resistência de nações e até mesmo de
um homem que protegeu com a própria vida a construção. Erguido pelos
holandeses em 1631, o Forte Orange serviu de base para os portugueses
construírem, 65 anos mais tarde, o Forte de Santa Cruz. A edificação
foi ampliada seguindo o modelo arquitetônico original. Após dois anos
fechado, o monumento passou por algumas intervenções antes de ser
devolvido à população. A meta para os próximos anos – audaciosa e
milionária – faz jus ao valor histórico e cultural que a fortaleza
representa para a construção do Brasil.
O superintendente do
Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) de
Pernambuco, Frederico Almeida, mostrou-se entusiasmado com a reabertura
do Forte e apresentou os planos futuros. O Programa de Reforma e
Revitalização, orçado em R$ 26 milhões, estava exposto em um painel e
aguçava a curiosidade dos que percorriam as muralhas da fortaleza.
“Abrir o Forte está sendo uma batalha. Agora, com a entrega da
primeira etapa, vamos buscar os recursos necessários para podermos
concluir a revitalização”, explica Frederico Almeida. Por enquanto,
apenas as obras de contenção do mar têm verba garantida. Nos próximos
três meses, a entrada no espaço será gratuita. Ao longo deste período,
o Iphan analisará a melhor maneira de fazer a cobrança, que será
destinada à manutenção do monumento.
Além disso, o projeto prevê
a restauração arquitetônica, projetos museológicos e museográficos,
recuperação de mangues e instalação de acessos. Em uma das etapas, de
acordo com o superintendente, será escavado um túnel que trará à tona
as ruínas do Forte Orange, atualmente encoberto pela construção
edificada pelos portugueses. Os visitantes percorrerão um corredor
subterrâneo e terão contato com o estilo arquitetônico holandês. “Na
superfície, o traçado do Forte Orange também será demarcado para o
público observar a dimensão real do tamanho da fortificação”, afirma o
presidente do Iphan.
Outra proposta para ofertar um pouco da
história guardada entre os muros da fortificação é o resgate da trilha
percorrida pelos holandeses. O trajeto terá 2,5 quilômetros, cinco
paradas e vai ligar o Forte até Vila Velha, antiga capital da Ilha de
Itamaracá. Dos 860 fortes construídos para defesa do litoral durante o
período em que o Brasil era colônia portuguesa, apenas 109 continuam
presentes na paisagem. O Forte de Itamaracá é a única edificação
militar que mostra evidências arqueológicas do período de dominação
holandesa.
Na primeira etapa da reabertura do monumento foram realizados serviços
de troca do telhado, substituição e descupinização da madeira,
construção de novas escadas e passarelas, pintura de portas e
esquadrias, retirada de infiltrações, além de revista total e
modernização da instalação elétrica e dos pontos de iluminação. A verba
de R$ 350 mil foi do Ministério da Cultura, repassada ao Iphan.
Para
Sol Esoje Sousa, filho de José Amaro de Souza Silva, conhecido como o
Guardião do Forte Orange, o momento foi emocionante. “Cresci aqui, vi
meu pai passar 30 anos da vida dele lutando pela preservação do lugar.
Depois da morte dele, o patrimônio ficou abandonado e o mato tomava
conta de tudo. É muito gratificante olhar e perceber que a saga dele
não foi em vão. Ele se considerava uma pedra do forte e vamos cuidar
para manter viva a chama da preservação”, pontua.

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