Confiram abaixo alguns trechos da entrevista que o deputado estadual Daniel Coelho concedeu à rádio JC/CBN, na manhã desta segunda-feira.
Sobre a atuação da oposição
“Oposição hoje, formalmente, tem nove integrantes, de um total de 49. Ou seja, tem uma ampla maioria do governo. Mas o intuito da oposição, inclusive, não é derrotar o governo no voto. O intuito da oposição é debater, questionar, apresentar caminhos e, às vezes até, vencer o governo, mas vencer no argumento. Por exemplo, quando a gente fez o debate sobre a energia nuclear ou a usina a óleo que queria se fazer no Cabo, era um debate onde a gente não tinha número. Mas através do argumento, conseguimos convencer o governo.
Depois da eleição já trouxemos de volta a discussão sobre a Compesa, a PPP da Compesa, que preocupou muita gente durante a campanha, a possibilidade de uma empresa privada aumentar a conta d’água ou até fazer um contrato que não beneficie à população carente. Essa é uma pauta que a oposição tem que abraçar e aprofundar.”
Sobre a PPP da Compesa
“Tenho muita tranquilidade pra falar desse tema porque eu levantei ele em abril deste ano, antes da eleição. Fizemos essa discussão através de audiência pública na Assembleia, porque já lá atrás eu estava muito preocupado com dois fatores em relação a esse contrato: primeiro em relação a um déficit que realmente fica nas contas da Compesa, de quase 15%, o que pode acarretar num aumento da conta. Esse é um fator. O segundo fator é que esse contrato com a empresa privada não garante que serão saneadas as áreas de difícil acesso, as áreas de morro e as áreas mais pobres da cidade. Então isso é realmente para nos preocupar.
Nós chegamos a quase 70% da Região Metropolitana do Recife sem saneamento básico. Mas quem mais sofre com a falta de saneamento não são aquelas pessoas dos bairros mais ricos e mais privilegiados. Tem até falta de saneamento nos bairros mais ricos, mas quem mais sofre são as pessoas que moram nos bairros mais pobres, nas áreas de difícil acesso, nas comunidades carentes. E o contrato não está garantindo que vai ser ampliada a quantidade de área saneada exatamente nessas localidades. Por isso é importante que esse assunto seja debatido e não no formato que foi trazido durante a eleição, não é com alarde, não é tentando trazer palavras de ordem para fazer discurso fácil.
Eu não sou contra que se façam parcerias público-privadas para resolver os problemas da cidade, os problemas do Estado. Fazer uma PPP para a Compesa pode até ser boa, mas nós temos que ver o contrato, que aprofundar a discussão e esse é o papel da oposição. Fizemos antes da eleição audiência pública para esclarecer e me senti muito solitário naquele momento. Convocamos, tivemos o apoio de poucas lideranças políticas. Mas no processo eleitoral esse assunto foi levantado e não por nós, quem levantou foi o PT. Por isso, inclusive, eu espero que o PT não trate esse assunto somente em eleição. Que ele nos ajude agora, também, nessas discussões na Assembleia. Não quero de forma alguma ficar falando sozinho sobre esse assunto. É importante que os parlamentares também entrem nesse debate porque passou a eleição, não é hora de fazer um debate pensando no voto. É hora de pensar na população. E quando se fala na Compesa, se está falando de quase todos os pernambucanos, que são clientes da Compesa.”
Sobre eventuais críticas ao governo Eduardo Campos
“Todo governo erra e acerta. Por mais que o governo seja bem avaliado, sempre vão haver erros, sempre vão haver equívocos. Da mesma forma, até um governo mal avaliado acerta de vez em quando. Eu não gosto de ter essa visão da política de que meu adversário só está errando e eu só estou acertando. Por exemplo, na área de saúde. Foram feitas novas unidades de saúde, UPAs e hospitais, e a gente tem que achar que isso é positivo. Agora, o funcionamento dessas unidades, aí sim, temos um problema grave, hoje. Isso está identificado em todas as pesquisas: a população está insatisfeita com o sistema de saúde que nós temos no Estado.
A gente caminhando pela cidade, fazer campanha dentro desse processo eleitoral que acabei de participar, a gente vê uma grande preocupação da população com a quantidade de profissionais. Você tem uma unidade nova de saúde, mas chega lá e não tem um médico, ou tem um médico e a fila é enorme. O médico especialista está inexistente tanto na rede municipal quanto na rede estadual de saúde. O grande desafio do governo do Estado nesses próximos dois anos, já que conseguiu dotar o nosso Estado de novas unidades de saúde, é fazer com que elas funcionem corretamente, ampliar a quantidade de profissionais e, para ampliar a quantidade de profissionais, algumas medidas de gestão têm que ser feitas. Há um problema no Brasil da quantidade de médicos, então temos que fazer com que os médicos que nós temos tenham mais condições e mais eficiência no atendimento. E aí é o ponto onde a gente avança, podendo fazer um sistema de informatização na saúde. Isso é extremamente importante e é a medida existente em outros Estados que estão com uma situação um pouco melhor que a nossa.
Temos outros desafios. As estradas no interior do Estado estão completamente acabadas, precisamos recuperar a grande maioria delas, principalmente quando a gente vai distanciando da cidade do Recife. Os desafios são muitos e vai caber à oposição fazer a cobrança, esperando, claro, que o governo acerte e consiga dar soluções a essas demandas que são tão importantes pra nossa população.”
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