Além de preparar jovens músicos, a Orquestra Criança Cidadã vai agora oferecer curso de fabricação de instrumentos musicais. Na nova Escola de Formação de Luthier e Archetier, profissionais raros serão formados. Graças às aulas, que começam já na terça-feira (11), no bairro do Cabanga, no Recife, meninos e meninas poderão fabricar, consertar e fazer a manutenção de instrumentos de cordas. No caso do archetier, por exemplo, a especialidade é o arco, que transmite a vibração do som para o músico.
Os alunos estão animados, e muitos já conheceram o espaço onde devem passar os próximos anos. O estudante Sidney Félix diz que soube da novidade no colégio em que estuda e está animado. “Eu queria muito tocar na orquestra, e agora consegui entrar aqui na escola”, comentou.
Priscila Araújo diz que a irmã já faz parte da Orquestra, como musicista, e que agora pensa em fazer uma parceria entre as duas. “Eu quero aprender a fazer os instrumentos, para dar a oportunidade de minha irmã tocar o instrumento que fiz especialmente para ela”, contou.
As aulas serão ministradas pelos profissionais que já trabalhavam na Orquestra Criança Cidadã fazendo a manutenção dos instrumentos. “É uma forma bem descontraída da teoria vir com a prática. Iremos, então, começar com um instrumento mais simples de ser feito – o que não quer dizer que não tem que ser bem feito – que é o cavaquinho, um instrumento menor, mais leve”, disse o luthier Júlio Rocha.
A aluna Juliane Sotero já sonha com seu violão. “Perguntei ao professor Júlio quando poderíamos fazer um violão, e ele disse que primeiro a gente ia fazer o cavaquinho. Seria um sonho tocar um violão feito por mim”.
Os equipamentos para a fabricação já estão à espera dos futuros luthiers e archetiers. No entanto, os instrumentos produzidos por eles não serão usados pela própria orquestra, que já tem os seus. De acordo com o coordenador Ricardo Targino, eles irão para o Japão. “Isso acontece dentro de uma parceria que será firmada entre a Orquestra Criança Cidadã, a Escola de Luthier e Archetier e uma fábrica japonesa de instrumentos musicais, que dará suporte à nossa escola. Por sua vez, ela receberá o que for produzido aqui”, explicou.
Para Denilson Cauan, é tudo muito novo. “Nunca tive nenhum contato com instrumentos musicais. Achei bom quando cheguei na oficina, a pessoa aprende mais”, comentou.
Originalmente, o curso deve durar cinco anos. Mas dependendo da dedicação, os jovens podem sair prontos para o mercado em um tempo muito menor. Igor Ezequiel, que não passou no teste para ser músico da orquestra, agora se encanta com a possibilidade de ser luthier, e fala sobre o sonho de construir um instrumento específico. “O meu instrumento musical favorito é o violino, porque o som dele me encantou”, disse.

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