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24 de abril de 2010

Famílias convivem com medo nas áreas de risco na cidade do Paulista

Na Vila Torres Galvão, os moradores não dormem nos dias de chuva; este é o tema da quarta reportagem da série sobre a ameaça das barreiras.



Muitos moradores, em Paulista, sabem o que é passar a noite em claro. Basta chegar uma chuva, mesmo que não seja forte, para o sono ir embora. São famílias que vivem nas áreas de morro do município. Este é o tema da quarta reportagem da série sobre a ameaça das barreiras.


Entre os diversos bairros do Paulista está a Vila Torres Galvão, área cortada pela PE-15. O bairro fica a cinco quilômetros do centro. À primeira vista um local sem problemas, mas as travessas estreitas levam a outra realidade.

Com a falta de saneamento, o esgoto escorre por onde deveria passar somente água da chuva. “Se nós imaginarmos uma casa típica, com cinco a seis moradores, o consumo de água chega a mais ou menos mil litros. Essa água, em geral, vai ser infiltrada através de fossas e sumidouros. Então essa água consumida muitas vezes é maior que a água da chuva, e traz tanto problema com a chuva”, explicou o professor de engenharia da Universidade de Pernambuco, Alexandre Gusmão.

A aposentada Inácia Maria da Silva de 72 anos mora na parte baixa e sofre em dia de chuva. “A água fica toda no quintal. Só não entra mais porque eu mandei subir a parede atrás de casa. Porque de pouco em pouco essa barreira vai caindo e encostando na minha casa”, disse.

Um dos vizinhos dela é o pedreiro Jessé Trajano Costa. Ao longo de 30 anos, ele construiu uma casa confortável para a família, mas no quintal, a barreira é uma ameaça. “Tive que cavar para fazer a casa porque o terreno é pequeno. Os plásticos que ainda estão aqui são do ano passado. Esse ano ainda a Prefeitura ainda não veio por aqui, nem deu uma solução para a gente”, falou.

De acordo com o engenheiro, o ideal em uma encosta é que a distância entre o pé da barreira e as construções mais próximas seja de, pelo menos, a metade da altura da barreira. Na casa de seu Jessé, a situação encontrada não é esta. A residência está muito próxima da encosta, menos de um metro.

Numa área chamada de Parque Paulista, mas que os moradores conhecem por Alto do Bigode, as casas estão espremidas entre barreiras. O lugar assustou o engenheiro. “Esse local tem todas as características de uma área de médio e alto risco. As residências estão muito próximas da barreira, que tem um corte vertical e estão sem tratamento algum, que cria uma situação de risco para as famílias”, explicou.

RISCO

Em Paulista existem 1.800 pontos de risco - quase a metade fica em Torres Galvão. “A previsão é que no dia 15 de maio todas as barreiras estejam cobertas nesse bairro. A gente começou muito tarde porque a empresa que entrega as lonas atrasou o envio do material”, disse a coordenadora da Defesa Civil do Paulista, Marleide Maria dos Santos (foto 4).

Este ano, a Prefeitura deve investir R$ 400 mil em obras de contenção de barreira. “São obras de construção de muro de arrimo e de drenagem”, informou o diretor de Obras do Paulista, Francisco Maia

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